É um facto, que todos nós meros mortais, estamos bem cientes do destino final que nos foi traçado à nascença. É o triste fado de quem tem o prazer de se sentir vivo um dia... Há que aproveitar todos os dias que nos concederam, lamentando-nos menos, aproveitando o dobro...
Hoje não venho escrever sobre novas desventuras, aventuras ou idiotices. Hoje escrevo porque é sempre triste ver um "avô" partir, ainda que não o nosso.
É verdade que ainda não senti a dor da perda de um avô, felizmente, mas alguém que adoro viu hoje partir uma referência da sua vida.
Um avô é sempre um avô, diferente de um pai, de um tio ou de outra qualquer pessoa. É sempre aquele velhote porreiro que em tempos nos sentava ao seu colo para nos contar uma história, babando-se com o desabrochar de uma geração que dele provêm. Que nos levou a passear nos jardins, a dar milho aos pombos. Que nos construiu modelos à escala com as suas próprias mãos. Que nos deixa, agora que seguimos o mesmo futuro profissional, a sua antiga biblioteca, com aquele brilho nos olhos de quem se sente realizado e orgulhoso...Aquela pessoa que conseguia dormir em pé encostado a uma porta, que nos levava aos touros ou à sua bem tratada horta e pomar. Que nos mostra orgulhosamente as fotos de família...
Enfim, por tudo isto, um avô é uma personagem incontornável na nossa formação, da nossa meninice e do nosso futuro como pessoas. Não sei o que é sentir a dor da sua perda ainda, mas imagino o buraco tremendo que surge e que não chegará concerteza a ser preenchido.
Minha querida, imaginando que o teu avô terá feito coisas tão ou mais especiais do que os meus dois fizeram por mim, lamento tremendamente a tua perda. Nunca é fácil dizer alguma coisa que conforte essa dor, como tal, não o vou fazer esperando não ser preciso. Pessoas especiais, merecem sortes especiais. Espero apenas que realmente exista o tal lugar especial e calmo para onde todos os avós do mundo vão quando nos deixarem...
QUE ALGUÉM TRATE DELES, TÃO BEM COMO ELES NOS TRATARAM A NÓS!!!
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